Processo de envelhecimento acelerado está entre os desafios mais elementares do SUS.

O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma das maiores redes de saúde pública no mundo, cobrindo mais de 200 milhões de pessoas (80% deste total dependente exclusivamente dos serviços que oferece). Apesar dos avanços que representou em diversas frentes, o SUS enfrenta hoje uma série de problemas. Parte deles é ocasionada por uma nova realidade social, que exige um planejamento mais bem estruturado para garantir a qualidade de vida da população, cuja tendência é se consolidar como uma população envelhecida.

Este processo de envelhecimento acelerado está entre os desafios mais elementares dos sistemas de saúde público e privado no país. Daqui a pouco mais de dez anos, em 2030, o Brasil terá mais idosos do que crianças pela primeira vez em sua história. Haverá 41,5 milhões de pessoas acima de 60 anos (18% da população), contra 39,2 milhões que apresentem entre zero e 14 anos (17,6%). Atualmente, o número de idosos é de 29,4 milhões (14,3%).

Seguindo a tendência global, os brasileiros ampliaram sua expectativa de vida. Enquanto nos anos 80 a longevidade ficava em torno dos 62,5 anos, hoje já alcança o patamar de 76,1 anos, considerando uma média nacional e socioeconômica. Pessoas pertencentes a classes sociais mais abastadas e residentes em regiões com assistência médica de melhor qualidade possuem uma maior longevidade.

O fato é que esta transição demográfica resultará em maiores dispêndios com saúde, uma vez que deve crescer o volume de casos de doenças crônicas. Dados da Fenasaúde apontam que, se hoje o país tivesse o perfil demográfico previsto para 2030, 1,32% de seus gastos anuais com saúde derivaria do fator etário.

Continue a leitura e entenda as implicações do processo de envelhecimento da população no Brasil para a saúde pública!

envelhecimento e saúde

Avanços tecnológicos na área da saúde

O envelhecimento da população é um fenômeno observado mundialmente, que teve início primeiro em países desenvolvidos e, em seguida, em nações em desenvolvimento, como o Brasil.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que a população global com mais de 60 anos passará para dois milhões até 2050. Os avanços tecnológicos aplicados à área da saúde têm colaborado para as pessoas viverem cada vez mais. Além disso, a queda de fecundidade, observada a partir da década de 1960, serviu também para impulsionar este aumento demográfico da terceira idade.

Envelhecimento e o ampliação de gastos com saúde

Com uma população mais velha, surgem diferentes necessidades sociais, econômicas e habitacionais. As ações de saúde, que se tornam ainda mais urgentes, devem ser concentradas em prevenção e tratamento. Contudo, para tanto, é preciso levar eficácia para o tratamento dos idosos nos serviços de saúde, que carecem de profissionais qualificados e financiamento adequado.

Os gastos no SUS poderão chegar, em 2030, a R$ 115 bilhões por ano, enquanto hoje estão em torno de R$ 45 bilhões. Em nossa realidade atual, 70% dos idosos dependem exclusivamente do sistema público de saúde.

Um estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) indicou que o envelhecimento elevará o total de internações em mais de 30% até 2030. A projeção é de que o número vá mais que dobrar na faixa etária de 59 anos ou mais no período.

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Centros geriátricos na rede privada

Atualmente, 12,5% dos usuários de planos de saúde (cerca de 50 milhões) têm 60 anos ou mais. Entre eles, quase 90% apresenta algum tipo de doença crônica, como artroses, câncer e diabetes.

O superintendente executivo do IESS, Luiz Augusto Carneiro, acredita que a sustentabilidade na área da saúde, no que diz respeito à atenção à terceira idade, passa pela mudança no modelo assistencial, que é focado presentemente em especialistas e hospitais.

À Folha de São Paulo, ele opinou que os setores público e privado deveriam se focar em reforçar a atenção primária, com acompanhamento médico contínuo e concentrado no indivíduo, não na doença. A ideia seria de que um profissional de saúde acompanhasse o beneficiário do sistema de perto, integralmente.

Um modelo criado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está sendo testado na rede privada. Sua finalidade é prestar assistência aos idosos de modo a evitar as falhas registradas hoje neste tipo de atenção. Entre as propostas, está fazer com que os centros geriátricos possam identificar riscos capazes de agravar a saúde do idoso e atuar de forma preventiva.

No modelo, além de um médico de referência, há também um enfermeiro para orientá-lo de acordo com a necessidade apresentada.

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