Vinculados a universidades, os hospitais universitários (HUs) são mantidos por estes centros de ensino superior ou colaboram com eles. Sua finalidade é contribuir com as atividades de formação de profissionais atuantes na área da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas etc.), assim como para o desenvolvimento tecnológico neste campo.

Para que seja classificado como hospital universitário, hospital-escola ou hospital de ensino, é necessário que o centro de saúde ofereça ensino universitário e atenda a certos requisitos em seus departamentos, serviços e unidades funcionais dedicados a atividades de formação. Entre eles, estão a presença de um número expressivo de médicos habilitados com grau de doutor e a capacidade de prestar assistência médica de referência.

Os hospitais universitários possuem uma série de diferenças em relação a instalações, abrangência no atendimento e adoção de tecnologias. A seguir, você entenderá melhor como eles funcionam no país.

Panorama de hospitais universitários no Brasil

Panorama no Brasil

A grande maioria dos hospitais universitários no Brasil está ligada a universidades federais. Esta rede é composta por 50 HUs, vinculados a 35 instituições federais. Para seu financiamento, eles contam principalmente com recursos adquiridos a partir de contratos com municípios ou estados.

Em entrevista à Agência Brasil, a diretora do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), Jacqueline Rodrigues Lima, pontuou que o valor não é suficiente para atender a todas as demandas e necessidades dos hospitais federais.

Segundo ela, por conta disso, gestores e trabalhadores se dedicaram ao longo dos anos à reivindicação por recursos suplementares. Desta forma, foi instituído em 2010 o Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf). A iniciativa viabiliza aportes extraordinários para pesquisas, manutenção e reestruturação de hospitais universitários no Brasil, assim como aquisição de materiais médico-hospitalares.

No início do ano passado, hospitais universitários de todo o país receberam R$ 31 milhões do Rehuf. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), organização ligada ao MEC que administra os hospitais, orienta a destinação dos recursos por meio do Comitê Gestor Nacional do programa.

Para tanto, são levados em conta critérios como porte do hospital (determinado pelo número de leitos), perfil assistencial (baixa, média ou alta complexidade), obras que possam estar em andamento, além de o fato de operarem exclusivamente na rede do Sistema Único de Saúde (SUS).

Desta vez, a maior parcela do montante foi designada ao Hospital das Clínicas do Paraná (HC-UFPR), que recebeu quase R$ 2 milhões. Já a menor foi para o Instituto de Ginecologia da UFRJ (IG-UFRJ), que ficou com cerca de R$ 16 mil.

Unidades como o hospital da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Hospital das Clínicas de Porto Alegre (HCPA), associado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, não receberam recursos por atenderem também a planos privados.

Na mesma entrevista à Agência Brasil, a diretora do Andes-SN avaliou que os valores repassados não são suficientes. A seu ver, além da necessidade de maior aporte, os hospitais universitários sofrem também com a falta de autonomia para gerir o dinheiro.

Desde que foi criada, em 2011, a Ebserh ficou encarregada da gestão das unidades hospitalares. Para Jacqueline, que atuou por mais de dez anos no hospital da Universidade Federal de Goiás, a mudança administrativa favoreceu o sucateamento dos locais, com processos como fechamento de serviços ambulatoriais e compra de materiais de qualidade duvidosa. A seu ver, o problema não só compromete a função educativa das unidades, como também a população que busca atendimento nestes espaços.

Por outro lado, a Ebserh, em resposta à Agência Brasil, replicou que a gestão de recursos é do próprio hospital, que teria autonomia para decidir investir em infraestrutura ou em insumos, como é o caso de medicamentos.

A estatal pontuou ainda que a centralização de processos como a compra de medicamentos conjunta, para todos os hospitais universitários federais, gerou uma economia de R$ 4 milhões.

Desafios da gestão nos hospitais universitários

Desafios na gestão dos hospitais universitários

Diante do quadro apresentado, é possível inferir que existem alguns percalços quanto à gestão de hospitais universitários no Brasil. As unidades de saúde realizam, ao mesmo tempo, assistência, pesquisa, gestão e formação profissional. Deste modo, os desafios passam por organização, administração de processos e, claro, desenvolvimento de pessoas. Como vimos antes, o financiamento destes hospitais também é um fator que gera debates.

Há ainda déficit de trabalhadores nos locais, por conta de questões como rotatividade e absenteísmo. Além disso, no que diz respeito ao atendimento, a falta de leitos é uma realidade nos serviços de internação, o que acaba impactando os atendimentos de emergência. Isso acontece, por exemplo, quando os pacientes ficam internados na ala de emergência até que recebam alta, fator que prejudica a porta de entrada.

Não se pode deixar de apontar também a deficiência na infraestrutura dos hospitais universitários, que se configura como mais um desafio para que se consiga oferecer atendimento de qualidade para a população e um processo de formação adequado. Espaços reduzidos e com pouca privacidade para a realização de atendimentos são um problema identificado no Brasil. É importante lembrar que os HUs são resultado de duas políticas governamentais – educação e saúde. Portanto, sua gestão revela a complexidade que envolve a articulação destas áreas.

A grande maioria dos profissionais de saúde no país encontram em instituições hospitalares um ambiente-chave de formação acadêmica. Além disso, muitos dos HUs brasileiros acabaram se tornando complexos de saúde, com a incorporação de outros tipos de serviços e configurações.

Resta a necessidade de se voltar à sustentabilidade organizacional dos hospitais universitários, fortalecendo seus mecanismos de gestão e planejamento financeiro, assim como a atenção às questões que permeiam a qualidade dos serviços prestados à população e a função de ser parte do desenvolvimento de novos profissionais.

Perspectivas para quem atua em hospital universitário

Perspectivas

Para situar os hospitais universitários como agentes que fomentam o ensino e a formação profissional, é preciso compreender o modo como seus serviços e processos são organizados, atentando-se também à sua capacidade de responder às demandas da população.

Deve-se entender quais são suas especificidades e possibilidades – em termos de suprirem demandas no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS) –, mas sem deixar de lado a responsabilidade social que encerram.

Apesar de todos os desafios apresentados, o futuro dos hospitais universitários está relacionado à sua vocação para favorecer ações integradoras no âmbito das políticas públicas para a saúde e educação. Seu papel deve ser, ao mesmo tempo, promover a melhora das condições de saúde da população e garantir a consolidação de mecanismos que priorizem o ensino e a pesquisa.

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Diante do exposto, pode-se compreender que muitos dos desafios encontrados pelos hospitais universitários dizem respeito à gestão destas instituições. E é justamente para fortalecer este campo que foi criado o Hygia.

Nosso sistema integrado de gestão em saúde realiza a administração de unidades públicas como UBSs, UPAs e clínicas universitárias com plena eficiência. O Hygia concentra uma série de soluções, como:

  • Organização do atendimento conforme classificação de risco.
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