Um dos desafios para os médicos do futuro – que já começam a se preparar agora, enquanto estão na faculdade, para lidar com os novos aparatos tecnológicos que vêm surgindo – consiste em se aprofundar no uso da inteligência artificial (IA).

A IA, que apareceu com a finalidade de tornar as máquinas, assim como os seres humanos, capazes de adquirir conhecimento, vem possibilitando que sistemas atrelados a diferentes áreas de atuação detectem problemas e tomem decisões de acordo com informações apresentadas em bancos de dados complexos. O termo inteligência artificial foi cunhado em 1956, pelo cientista da computação americano John McCarthy.

Nos dias de hoje, sabemos que os robôs apresentam uma capacidade impressionante de reter conhecimentos e de interagir com as pessoas. Segundo um estudo publicado na revista Nature em 2018, eles já possuem uma expressiva habilidade de previsão para conduzir procedimentos em um ambiente hospitalar.

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Novos parâmetros para as decisões médicas

Na prática, a tecnologia relacionada à inteligência artificial voltada à área da saúde utiliza um grande montante de dados e informações, com o objetivo de apresentar a médicos e profissionais da área novas perspectivas para tomadas de decisões ou conduzir condutas.

Para tanto, são avaliados dados que agregam desde o histórico de saúde do paciente a estudos e publicações da literatura científica. A máquina, ao processar todo este material salvo na nuvem, proporciona mais chances de acerto na realização de diagnósticos e prescrição de tratamentos.

O médico do futuro, portanto, deverá saber lidar com estes mecanismos. Por conta disso, universidades e empresas no país começam a desenvolver cursos que ensinam a dominá-los.

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Estudantes aprendem a aplicar inteligência artificial à saúde

O treinamento em métodos de IA acontece em unidades de ensino e pesquisa como o Instituto de Inteligência Artificial Aplicada (I2A2, na sigla). A entidade mantém parcerias com companhias de peso na área da tecnologia, como IBM e Nvidia, e criou um grupo com alunos de faculdades de medicina da região, que se dedicam a aprender a usar a IA.

Gratuito, o curso tem duração de dois anos e é formado por cinco participantes, selecionados entre estudantes “acima da média” nas universidades. Há, entre eles, até mesmo um campeão de olimpíada de astronomia.

“Não estamos ali para virarmos programadores. Estamos ali para entender sobre IA, entender como funciona e, possivelmente, enxergar aplicações dela na saúde”, disse, em entrevista à Folha de S. Paulo, Igor Teodoro, de 22 anos, estudante da USP-Ribeirão Preto.

Quando se reúne, o grupo se dedica a assimilar conhecimentos ligados a campos como ciência de dados, linguagem de programação, deep learning, machine learning e matemática aplicada. As áreas são entendidas como essenciais para a compreensão do cérebro eletrônico.

A finalidade das aulas é formar mão de obra especializada, que se encontra escassa no mercado atual e tem gerado uma procura intensa por profissionais qualificados, empreendida pelas cinco gigantes da tecnologia (Amazon, Apple, Facebook, Google e Microsoft).

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IA auxilia em diagnósticos

Quando o assunto é medicina, as expectativas em torno da IA se concentram especialmente no processo de diagnósticos. Por meio desta tecnologia, é possível detectar câncer de pele com uma precisão maior do que a de profissionais especializados, de acordo com um estudo da Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Há ainda um sistema desenvolvido pelo Google que é capaz de reconhecer mais de 50 tipos de doenças oftalmológicas, por meio da avaliação de imagens de exames dos olhos.

Um curso à distância, oferecido pelo Instituto Edumed, trata sobre aspectos diversos da informatização da medicina. Um de seus módulos é voltado para a aplicação da inteligência artificial no auxílio a diagnósticos.

Tecnologia testada no país

Hospitais e clínicas brasileiros estão adotando a inteligência artificial em caráter experimental. Também em entrevista à Folha de S. Paulo, o professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Alexandre Chiavegatto Filho, afirmou que, “em algum momento, todo médico brasileiro vai ter de aprender a trabalhar com inteligência artificial”.

A seu ver, a qualificação profissional no país viabilizará a adaptação de modelos estrangeiros de IA para a realidade nacional.

A tecnologia vem sendo aplicada, por exemplo, no combate ao câncer aqui no Brasil. Algoritmos têm sido usados no diagnóstico e criação de tratamentos de quimioterapia. As iniciativas partem de hospitais, startups e gigantes da tecnologia.

O Instituto do Câncer do Ceará, em Fortaleza, conta com uma ferramenta desenvolvida pela IBM. Batizada de IBM for Oncology, ela cruza dados de pacientes com um extenso banco de dados formado por artigos científicos e registros de casos já tratados por outros hospitais e instituições. Desta maneira, permite a busca por tratamentos mais personalizados para os pacientes. O Hospital do Câncer Mãe de Deus, em Porto Alegre, conta com a mesma ferramenta.

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1 comentário

Quais os avanços que a tecnologia 3D já trouxe à saúde? | Blog Hygia · 2 de abril de 2019 às 10:16

[…] técnicas como planejamento cirúrgico virtual, implantes e próteses customizados, aplicativos de realidade virtual, Análise Tridimensional Anatômica (ATA) e […]

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