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O cotidiano dos profissionais de saúde depende de atividades desenvolvidas por equipes multidisciplinares e intersetoriais. A gestão da sala de situação é uma destas atividades que reúne vários profissionais e lideranças.

Para que os gestores consigam obter um acompanhamento mais detalhado sobre uma população, a criação de uma sala de situação em saúde é fundamental.

Neste ambiente, os líderes elaboram estratégias para monitorar, em tempo real, a operação assistencial com base nos dados inteligentes levantados por ferramentas de gestão e que são analisados pelas equipes posteriormente.

Neste artigo, você irá conferir a importância e o funcionamento de uma sala de situação em saúde.

Continue a leitura!

Sala de Situação em Saúde: O que é

O termo sala de situação tem seu surgimento baseado no conceito de sala de crise, criado durante a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de gerenciar ações e combates, de acordo com os dados disponibilizados durante os eventos.

A sala de situação pode ser utilizada em diversas áreas, como em emergências meteorológicas e eventos de saúde populacional. 

Na área da saúde, este ambiente é caracterizado como um espaço físico e virtual, dotado de visão integral e intersetorial, em que os dados de saúde e doença, referentes a um determinado espaço geográfico com uma população definida (país, Estado, município, distrito sanitário ou até mesmo área de abrangência de uma equipe de Saúde da Família), em um período de tempo especificado, são analisados por uma equipe técnica. Esta define como anda a situação da saúde na região avaliada.

Com atuação como instância integradora da informação que gera a vigilância em saúde pública nas diferentes áreas e níveis, a sala de situação em saúde constitui-se em um órgão de assessoria direta, capaz de levantar informações relevantes que apoiam o processo de tomada de decisões.

Dentre as suas funções, podemos destacar:

  • Planejamento e avaliação das ações em saúde;
  • Apoio à definição dos programas e políticas que visam à melhoria da saúde;
  • Avaliação da qualidade e do acesso aos serviços;
  • Apoio à vigilância da saúde pública, incluindo a vigilância das doenças sujeitas a regulação internacional;
  • Direcionamento da resposta dos serviços de saúde em situações de emergência, como surtos epidêmicos ou desastres naturais;
  • Difusão da informação em saúde à comunidade.

Devido à pandemia causada pela disseminação do novo coronavírus (Covid-19), diversos Estados brasileiros implantaram uma sala de situação específica para o acompanhamento e levantamento de informações acerca do comportamento da doença na população.

A prefeitura de Manaus, por exemplo, implantou uma sala de situação em saúde em que constam todas as informações relacionada à pandemia de Covid-19 na cidade, como boletins epidemiológicos; decretos e portarias; monitoramentos; planos de contingência; notas técnicas; plano de enfrentamento contra a epidemia de Covid-19, entre outras.

O objetivo da sala de situação é monitorar e apresentar falhas e erros nos processos, a fim de disponibilizar informações inteligentes, de forma que a tomada de decisões, a prática profissional e a geração de conhecimento sejam pautadas na eficiência e eficácia.

Estes dados levantados e analisados dão embasamento para a elaboração de um plano estratégico para a gestão em saúde da população. Assim, os gestores podem criar planos de ação de melhoria contínua, de forma a garantir produtividade, qualidade, além de resultados assistenciais otimizados e com redução de custos.

No Brasil, a primeira sala de situação em saúde foi inaugurada no município de Campina Grande, no Estado da Paraíba, em dezembro de 1994.

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Entenda o Planejamento Estratégico Situacional

Carlos Matus, economista chileno, é considerado o maior estudioso sobre o planejamento estratégico de governo, governabilidade, estilos estratégicos de governo, entre outros assuntos ligados ao tema, tendo publicado diversos livros.

De acordo com ele, o Planejamento Estratégico Situacional (PES) diz respeito a um conjunto de princípios teóricos, procedimentos metodológicos e técnicas de grupo que podem ser aplicados a qualquer tipo de organização social que demanda um objetivo.

Esta prática traz um importante enfoque metodológico, abordando alguns princípios e visões filosóficas acerca da produção social, liberdade humana e papel dos governos, governantes e governados. 

Em outras palavras, o PES engloba a análise de problemas, identificação de cenários e ênfase na análise estratégica, elementos estes que o diferenciam de outros métodos de planejamento.

Pode-se concluir, através da ideia de Matus, que a sala de situação em saúde deve procurar responder, dentre outras, às seguintes questões sobre as regiões avaliadas:

  • Subsidia a reorganização do sistema de saúde, articulado em uma rede regionalizada e hierarquizada, onde cada serviço tem uma cobertura determinada (território-população) e responsabilidade sanitária definida?
  • A população e os conselheiros percebem a sala de situação como um avanço do sistema de saúde, em prol do bem-estar de cada humano e do coletivo?
  • Promove a incorporação, na cultura institucional, de um pacto ético de respeito à privacidade e confidencialidade dos dados dos cidadãos?

O papel da epidemiologia presente na sala de situação é o desempenho de funções críticas, como a de conjugar conhecimentos para compreender o processo saúde-doença, prever as necessidades, identificar as condições de risco e orientar a definição de prioridades e a utilização de recursos disponíveis para planejar e administrar os sistemas de saúde.

Como se dá a análise de informação em saúde?

Atividade central da epidemiologia, a análise de informação em saúde permite conhecimento do estado de saúde da população e seus determinantes.

Os dados produzidos pelos sistemas de informação sanitária – relacionados a estatísticas vitais, vigilância epidemiológica, produção de serviços, programas de saúde e investigações – devem ser transformados em informação, para que sejam analisados.

A análise compreende:

  • Processamento das informações;
  • Utilização de indicador apropriado;
  • Apresentação tabular e gráfica;
  • Interpretação dos dados.

Assim, os dados são transformados em informações que geram conhecimento e, posteriormente, devem possibilitar a tomada de decisões visando à melhoria das condições de saúde.

É importante ressaltar que tanto os dados qualitativos quanto os quantitativos são considerados e analisados.

Como falamos anteriormente, é preciso que haja um trabalho conjunto interdisciplinar, que envolve a participação de antropólogos, sociólogos e psicólogos, que complementam a análise de situação de saúde e seus determinantes sociais e econômicos.

Definidas as prioridades, os indicadores e as fontes de informação, a sala de situação pode ser complementada com o uso de novas tecnologias e programas informatizados que acessem as fontes de informação, atualizem os indicadores e os apresentem em gráficos de tendências e mapas, em uma plataforma virtual.

A sala de situação do Ministério da Saúde difunde informação gerencial de forma que favoreça a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) até a esfera municipal.

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Centro de Operações de Emergência em Saúde

Em casos de urgências sanitárias, a sala de crise pode transformar-se no Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE), sob a liderança do Ministério da Saúde, integrando todos os níveis políticos e técnicos das instituições do setor, a fim de enfrentar os efeitos sanitários do evento adverso.

O COE é definido como um espaço físico onde são realizados planejamento, organização, direção, coordenação, avaliação e controle integral das atividades de resposta diante de eventos adversos.

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Tecnologia em saúde

É fato que as tecnologias voltadas à saúde precisam estar alinhadas com o plano estratégico institucional denominado “Mais Saúde”, além de serem aderentes às áreas de atuação do Ministério da Saúde, como veremos a seguir:

  • Atenção à Saúde;
  • Vigilância;
  • Gestão e financiamento da saúde;
  • Controle social;
  • Disseminação de informação, ensino, pesquisa e desenvolvimento do complexo produtivo.

Além das áreas de atuação citadas acima, as tecnologias para a saúde também devem contemplar os envolvidos: cidadãos, profissionais, municípios, Estados, governo federal e saúde suplementar. Entram nesta relação instituições como: Agência Nacional de Saúde (ANS), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), assim como centros de ensino e pesquisa.

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É importante lembrar que a gestão em tecnologia para a informação em saúde possui quatro pilares:

1– Promoção e Atenção à Saúde: família no centro da mudança;

2- Gestão: trabalho e controle social;

3- Ampliação do acesso: com qualidade e produção;

4- Desenvolvimento e cooperação.

A utilização de um sistema de gestão da saúde é fundamental para a otimização da sala de situação. Em Manaus, cidade que foi citada como exemplo anteriormente, é utilizado o sistema Hygia.

Através do Prontuário Eletrônico, é possível reunir as informações do paciente em único local e, assim, conseguir fazer um mapeamento acerca do comportamento da doença que desperta o acompanhamento da vigilância epidemiológica.

Outras informações relevantes também podem ser levantadas a partir das soluções de TI, voltadas à gestão em saúde. Os indicadores a serem analisados dependem da necessidade verificada pela gestão de cada instituição.

Neste artigo, você compreendeu o conceito da sala de situação em saúde, o seu funcionamento e indicadores que podem ser analisados pelos gestores e equipes especializadas.

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Esperamos que este conteúdo tenha sido útil para você.

Até a próxima!

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