Número de casos de sarampo no Brasil registrados, até dezembro de 2018, ultrapassou marca dos 10 mil.

A política de vacinação brasileira conquistou reconhecimento internacional ao longo dos anos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), graças a ela, o país se tornou um dos que mais contribuíram para a redução da mortalidade infantil. Contudo, este cenário vem mudando, e a oferta de vacinas no Sistema Único de Saúde (SUS) não tem conseguido assegurar a taxa desejável de cobertura vacinal da população.

Em 2017, o Brasil apresentou o menor índice de vacinação em crianças de um ano em 16 anos. Ademais, há ainda déficits relacionados à imunização de adolescentes e adultos. Prova disso é que todas as vacinas do calendário de adultos estão abaixo da meta de cobertura ideal. Os motivos passam por falta de informação e taxa de abandono.

Foram registrados, até dezembro de 2018, mais de 10 mil casos de sarampo no Brasil. A volta da doença, que estava erradicada no país, começou a se proliferar na fronteira com a Venezuela. A partir daí, houve dois surtos, um em Roraima e outro no Amazonas.

Diante disso, o país tem até fevereiro de 2019 para tentar revertê-los. Do contrário, corre o risco de perder o certificado de eliminação do sarampo, concedido pela OMS.

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Baixa cobertura vacinal

A baixa cobertura vacinal colocou o país em alerta. Em 2018, por exemplo, a campanha para vacinação de crianças de um a cinco anos contra o sarampo e a poliomielite atingiu a meta de 95% depois de ser prorrogada. No entanto, a cobertura em adultos segue abaixo deste escopo, não só da imunização contra o sarampo, mas também de outras vacinas importantes.

Para a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), a taxa de cobertura é bastante baixa (4,7%, contra uma meta de 95%) na avaliação entre 1994 e 2018.

Em entrevista ao G1, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização, Renato Kfouri, explicou que a última epidemia de sarampo aconteceu no Ceará, em 2016. Após o episódio, o país recebeu a certificação de eliminação do vírus. Ele pontuou que este era o cenário até o surto na Venezuela e a migração de venezuelanos a partir da fronteira com o Brasil, primeiro para Roraima e depois para o Amazonas.

Mas, o especialista reforça que a proliferação da doença no Brasil aconteceu por conta da cobertura vacinal inadequdada. “(…) a responsabilidade é nossa que não estávamos devidamente vacinados”, pontuou ao G1.

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Distribuição de vacinas contra o sarampo

De acordo com o Ministério da Saúde, não existe problemas ligados a desabastecimento nos postos de saúde. A distribuição das vacinas é de responsabilidade dos governos estaduais e municipais.

Ainda assim, houve, com o decorrer dos anos, variação nas doses anuais enviadas aos estados.

Enquanto em Roraima foram recebidas mais de 16 milhões de doses da vacina tríplice viral e contra a poliomielite em 2012, o número caiu para cerca de 5 milhões de doses em 2018. Por sua vez, o Amazonas recebeu mais de 55 milhões de doses em 2008, contra um pouco mais de 22 milhões no ano passado.

Ainda ao G1, o Ministério da Saúde afirmou ter enviado 14,8 milhões de doses da vacina tríplice viral em 2018 para os estados de Rondônia, Amazonas, Roraima, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Sergipe e Distrito Federal. A finalidade da ação foi acatar as demandas destas regiões e assegurar a realização de ações de bloqueio contra o vírus.

É importante lembrarmos que, no Brasil, não é necessário realizar agendamento para vacinação na rede pública de saúde. As doses devem ser disponibilizadas para a população em qualquer dia, de modo que todos possam manter o calendário vacinal em ordem.

Conscientização do sarampo no Brasil

Conscientização

O sarampo é uma doença infecciosa transmitida por um vírus altamente contagioso. Embora parte das pessoas que se contagiam não apresente quaisquer sintomas, há quem sofra com manchas no rosto e corpo, coceira, conjuntivite, infecção no ouvido, tosse e febre.

O quadro mais preocupante é o que afeta crianças, que, como têm um sistema imunológico mais vulnerável, podem ter pneumonia e convulsões e até chegar a óbito. Com o novo surto, houve 12 mortes por sarampo no Brasil, nos estados de Roraima e Amazonas, sendo metade das mortes em crianças de um ano de idade.

Ao G1, o Ministério da Saúde afirmou que considera a campanha de vacinação de crianças uma das mais importantes do ano.

“A campanha, em 2018, superou a meta de vacinar, pelo menos, 95% do público-alvo, atingindo 98% de cobertura, o que não vinha acontecendo desde 2014. A recomendação de uma cobertura vacinal homogênea no país é um trabalho constante e prioritário do Ministério da Saúde”.

Mais de R$ 20 milhões foram destinados no ano passado para a campanha conjunta de poliomielite e sarampo, que já estava prevista antes de o surto ocorrer.

Este tipo de ação é fundamental para conscientizar a população e combater notícias falsas relacionadas às vacinas e a seus supostos efeitos adversos, contribuindo para a ampliação da cobertura vacinal destas doenças.

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