Você sabia que a Estratégia Saúde da Família (ESF), prioritária na atenção básica no Brasil, é uma porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS)? Continue a leitura e descubra em que consiste a iniciativa e como acontece sua operação!

As equipes de saúde da família distribuídas pelo país atuam na prestação de cuidados básicos e na prevenção de doenças. Os atendimentos que realizam envolvem uma conexão maior com os usuários, uma vez que sua finalidade é garantir uma atenção integral à saúde e considerar cada paciente inserido em seu meio familiar e comunidade.

Os profissionais, portanto, se organizam para atuar não só nas unidades de saúde, mas também nos espaços públicos das comunidades. Sendo assim, faz parte de sua rotina realizar visitas domiciliares a residências.

A proximidade da equipe de saúde da família com os usuários assegura uma adesão maior aos tratamentos e intervenções propostos pelos profissionais. Desta forma, mais questões de saúde são resolvidas na atenção básica, sem que seja necessária uma intervenção de média ou alta complexidade em um hospital ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

saúde da família

Municípios menores sofrem mais

Em municípios menores são mais frequentes as internações por condições relacionadas à atenção básica. E são justamente as cidades pequenas, com menos de 20 mil habitantes, que predominam numericamente no país. Segundo o IBGE, elas correspondem a mais de 70% do total de municípios brasileiros.

Um estudo realizado em 2017 por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco indicou que as cidades com menos de 30 mil habitantes são as que internam pacientes mais frequentemente por conta do agravamento de problemas que poderiam ser evitados, se a população tivesse acesso a serviços eficientes de atenção primária à saúde.

Neste sentido, ainda que o Programa Saúde da Família (PSF), criado em 1994 e que passou depois a ser chamado de Estratégia Saúde da Família, tenha se expandido e interiorizado ao longo dos anos, as desigualdades no acesso à saúde entre grandes e pequenos municípios ainda persistem.

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Avanço na cobertura

O aumento no número de equipes do então Programa Saúde da Família começou a acontecer em todo o país a partir de 1998, segundos os pesquisadores da Fiocruz. Contudo, em 2015, por exemplo, o número de pessoas internadas devido a problemas evitáveis na atenção básica foi de 159 a cada 10 mil habitantes, em cidades com menos de 30 mil habitantes. A frequência representa mais do que o dobro da observada em municípios com população superior a 1 milhão de moradores.

Ainda assim, a estratégia é uma das principais iniciativas do governo para a consolidação da atenção básica no país, e o número de pessoas com acesso ao serviço deu um salto no decorrer dos últimos anos.

Quando o Ministério da Saúde lançou o PSF como uma política nacional de atenção básica, a finalidade da iniciativa era apresentar uma solução mais ampla e eficiente frente ao modelo tradicional de assistência primária, baseado em médicos especialistas focais.

O programa, então, se consolidou ao longo dos anos e passou a ser uma estratégia prioritária para a reorganização deste nível de atendimento no Brasil. As equipes de saúde da família estão ligadas às Unidades Básicas de Saúde (UBSs) locais. Este nível de atenção tem potencial para resolver 80% dos problemas de saúde da população.

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Composição da Estratégia Saúde da Família

As equipes da ESF são multiprofissionais, compostas por, pelo menos, médico generalista ou especialista em saúde da família (ou médico de família e comunidade), enfermeiro generalista ou especialista em saúde da família, auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde (ACS).

O número de agentes comunitários de saúde deve garantir a cobertura de 100% da população cadastrada, com, no máximo, 750 pacientes por agente e 12 agentes por equipe de saúde da família.

Além disso, cada equipe deve se responsabilizar por, no máximo, 4 mil pessoas de uma determinada região.

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Quais as tarefas de uma equipe de saúde da família?

Uma equipe especializada em saúde da família precisa:

• Compreender a realidade das famílias por que se responsabiliza e identificar os problemas de saúde e situações de risco mais comuns a que a população está exposta;

• Executar os procedimentos necessários de vigilâncias à saúde e epidemiológica nos diferentes ciclos da vida dos indivíduos;

• Assegurar continuidade nos tratamentos;

• Garantir assistência integral, de modo a responder adequadamente à demanda, mantendo-se em contato com pessoas sadias ou doentes, para promover a saúde a partir da educação sanitária;

• Promover ações intersetoriais e parcerias junto a organizações formais e informais presentes na comunidade, para enfrentamento compartilhado de problemas;

• Levantar, de forma permanente, discussões que englobem o conceito de cidadania, enfatizando os direitos de saúde e suas bases legais;

• Fomentar a participação ativa em conselhos locais de saúde ou formação destes, assim como a interação junto ao Conselho Municipal de Saúde.

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