Separamos exemplos de sistemas de saúde posicionados entre os melhores do mundo.

Apesar de alguns de seus programas serem considerados referências no mundo, o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil é subfinanciado e carece de elementos fundamentais, como profissionais qualificados, remédios e infraestrutura adequada. Por sua vez, os serviços privados apresentam altas mensalidades e não oferecem cobertura para uma série de exames e cirurgias.

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Investimento em saúde no Brasil

Em pesquisas pré-eleitorais realizadas pelo Ibope, a saúde foi o problema mais apontado pelos eleitores de 25 estados e do Distrito Federal. Apenas 3,6% do orçamento da União foi destinado a esta área em 2018. O percentual está bastante abaixo da média mundial, de 11,7%, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Na Suíça, por exemplo, a proporção é de 22%.

A OMS concluiu que o gasto com saúde no Brasil é de 4 a 7 vezes menor em relação a países com sistemas universais, como Reino Unido e França. Também é inferior ao de países da América do Sul em que a saúde não é considerada um direito universal, caso da Argentina e do Chile.

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Outros sistemas de saúde universais

Diante da Emenda à Constituição aprovada em dezembro de 2016, que limita o crescimento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos ao percentual inflacionário nos 12 meses anteriores, os dados não devem ter variações consideráveis nos anos que estão por vir.

Para que você possa avaliar a situação sob um ponto de vista um pouco mais amplo, separamos alguns exemplos de nações que, assim como o nosso país, possuem sistemas de saúde desenvolvidos para garantir acessibilidade a todos. Contudo, tratam-se de sistemas posicionados entre os melhores do mundo. Confira!

Reino Unido

O Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) foi considerado como o melhor do mundo pela fundação americana Commonwealth Fund. Em estudo divulgado no ano passado, o sistema foi reconhecido por sua acessibilidade, segurança e eficiência. Por outro lado, apresentou resultados menos animadores em indicadores como os de prevenção de mortes precoces e taxas de sobrevivência em casos de câncer.

Criado após a Segunda Guerra Mundial, o NHS inspirou o SUS em diversos aspectos. Entre eles, está o fato de os pacientes terem a possibilidade de se consultarem sempre com os mesmos profissionais e no bairro onde moram (objetivo da Estratégia Saúde da Família, que temos por aqui).

O sistema do Reino Unido se destaca ainda por seu programa de acesso a vacinas, qualidade nas triagens, rapidez no acolhimento e acesso igualitário, independente da renda do cidadão. É interessante pontuar também que por lá a participação de planos de saúde é mais procurada por pessoas que buscam certos “luxos”, como quartos particulares, ou atendimentos específicos, caso do de reprodução assistida.

Canadá

Ao tratar de sistemas de saúde com acesso universal, não podemos deixar de mencionar o Canadá. No país, a assistência médica está incluída no Imposto de Renda, de acordo com os rendimentos de cada um. Ou seja, quem tem renda maior, paga mais; quem tem renda menor, paga menos. Independente da situação financeira, todos os canadenses utilizam o sistema público para serviços médicos.

Mesmo em clínicas de propriedade privada, o pagamento pelo atendimento é realizado pelo governo, dentro do sistema público de saúde. O paciente não precisa desembolsar os custos do acolhimento. O setor privado, por seu lado, presta apenas alguns tipos de serviços, como diagnósticos e testes, tratamento odontológico e determinados procedimentos estéticos.

A existência de um sistema único no Canadá faz com que todos recebam o mesmo tipo de atenção, pobres ou ricos, diferente do Brasil, onde há uma ampla oferta de planos de saúde privados e tratamentos dispendiosos que não são cobertos pelo SUS.

Suécia

A Suécia é outro país cujo sistema de saúde se destaca entre os melhores do mundo. Sua universalidade teve início na década de 1950, quando o Partido Social Democrata começou um projeto que incluía diversas ações sociais.

Mais uma vez, a garantia de atendimento igualitário para todos, indiferente da classe social, é um dos pontos de destaque do sistema. No país escandinavo, a taxa de sobrevivência dos pacientes com câncer está entre as mais altas da Europa, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Por outro lado, os tratamentos especializados e medicamentos de ponta geram um grande custo para os cidadãos, que pagam altas cargas tributárias. O imposto sobre a renda é de, em média, 50%.

França

Como os sistemas de saúde de outras nações europeias, o da França é também universal (para aqueles que residem legalmente no país) e financiado pelo Estado, por meio do seguro nacional de saúde – estendido à toda a população. Há atendimentos realizados pela rede privada; no entanto, eles são geralmente reembolsados pelo governo.

Em 2000, o sistema de saúde francês foi eleito o melhor do mundo pela OMS.

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Comparação com o Brasil

Antes de se comparar a eficácia do sistema de saúde brasileiro com a dos países apresentados, é preciso ter em mente que tais nações dedicam entre 7 e 11% de seu Produto Interno Bruto (PIB) à área da saúde. Como vimos no início do artigo, apenas 3,6% do orçamento da União teve esta finalidade por aqui em 2018.

Entre os países que asseguram acesso universal à saúde, o Brasil possui o menor percentual de investimento público em relação ao PIB, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Também é necessário considerar que os países abordados têm quantidades de habitantes muito menores que a nossa.

Além disso, os sistemas de saúde mostrados acima também não são perfeitos: possuem filas de espera, lapsos no atendimento básico e complicações no acesso, em alguns casos. Porém, o financiamento mais robusto na saúde pública nestes países possibilita um acolhimento mais igualitário, bem estruturado e eficiente.

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1 comentário

Envelhecimento da população e a necessidade de políticas de saúde | Blog Hygia · 22 de fevereiro de 2019 às 17:11

[…] processo de envelhecimento acelerado está entre os desafios mais elementares do sistema de saúde do país. Daqui a pouco mais de dez anos, em 2030, o Brasil terá mais idosos do que crianças pela […]

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