Quando pensa em tecnologia 3D, é provável que você a associe, pelo menos mais imediatamente, a personagens de videogame e filmes de animação. De fato, nos últimos tempos, este recurso já foi usado para o desenvolvimento de equipamentos, brinquedos, roupas, figuras humanas e de animais etc., tanto no universo digital quanto no físico, por meio das impressoras 3D, de que falaremos mais para a frente. De alguns anos para cá, no entanto, o setor da saúde passou também a incorporá-lo.

A aplicação da tecnologia 3D na saúde possibilita a realização de diagnósticos e tratamentos mais seguros e eficientes. Neste cenário, destacam-se técnicas como planejamento cirúrgico virtual, implantes e próteses customizados, aplicativos de realidade virtual, Análise Tridimensional Anatômica (ATA) e biomodelos.

A ATA consiste em uma avaliação sofisticada desempenhada a partir da tecnologia 3D – tendo como base um exame de ressonância magnética ou tomografia –, que possibilita que médico e paciente visualizem juntos imagens precisas e detalhadas de uma região de interesse (órgãos ou tecidos, por exemplo), a fim de compreender melhor o que acontece naquela área do corpo. O processo torna mais clara a comunicação entre profissionais e pacientes em relação a processos clínicos.

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Os biomodelos, por sua vez, são reproduções precisas de órgãos ou tecidos, criados a partir de impressoras 3D. A ideia é que, como são desenvolvidos por meio de informações obtidas por exames preliminares realizados pelos pacientes, possam ser manipulados antes de processos cirúrgicos, de modo a propiciar simulações da cirurgia, permitindo que o médico estabeleça uma memória espacial antes de executá-la. O objeto impresso apresenta as mesmas proporções do órgão do paciente, podendo ser um coração, rim, fígado, entre outros.

A tecnologia 3D trouxe ainda possibilidades interessantes para a otimização de processos, como as cirurgias virtuais, capazes de simular os procedimentos cirúrgicos que serão realizados nos pacientes, também a partir de exames como ressonância magnética e tomografia, empregados junto a recursos 3D.

Continue acompanhando este conteúdo para saber mais sobre os impactos positivos desta tecnologia para a área da saúde!

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Impressão 3D

Não dá para falar sobre tecnologia 3D sem abordar a impressora 3D, que foi criada na década de 1980 com vistas à produção de peças para a indústria automobilística. Agora, a máquina, já adotada em diferentes setores, é utilizada para a criação de réplicas personalizadas de órgãos e partes do esqueleto humano, que, como assinalamos antes, permitem um melhor planejamento de cirurgias, possibilitam o desenvolvimento de implantes que substituem ossos, assim como a criação de próteses de naturezas diversas.

Mas, como funciona uma impressora 3D? O princípio do equipamento é o mesmo do de uma impressora convencional. A diferença é que, em vez de tinta, o aparelho é “abastecido” com pó, gel ou filamento de metal ou de plástico, que, imprimem, parte por parte, peças tridimensionais, como ossos, dentes e dedos. O que confere à técnica um caráter pioneiro, em termos de aplicação tecnológica à área da saúde, é a possibilidade de personalização que ela oferece, sem precedentes ao longo da evolução da medicina.

Para a produção de uma determinada estrutura óssea, por exemplo, são usadas imagens obtidas a partir de tomografia ou ressonância magnética, para que a cópia seja o mais fiel possível à original. No futuro, estudiosos da área acreditam que, no lugar de metal ou plástico, poderão ser utilizadas células vivas como matéria-prima para o desenvolvimento das peças, de modo que sejam “impressos” órgãos e estruturas idênticos aos originais.

Após passar um período armazenado em uma espécie de incubadora, para maturar, o órgão – produzido a partir de células do corpo do próprio paciente, cultivadas em laboratório e introduzidas na impressora – seria implantado no indivíduo. Este cenário, que parece remeter ao de uma obra de ficção científica, poderia representar o fim das filas de espera para transplantes.

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Como a tecnologia 3D vem sendo aplicada à saúde?

Os exemplos de casos que envolvem a aplicação da tecnologia 3D na medicina são cada vez mais expressivos. No Hospital Brigham de Mulheres, em Boston, médicos estão empregando modelos de cabeças de pacientes, produzidos com imagens de tomografia computadorizada e tecnologia de impressão 3D, em tamanho natural, para auxiliar cirurgiões na compreensão da anatomia facial, de maneira que possam operar com mais confiança no que precisa ser feito.

Por sua vez, cientistas da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard criaram uma técnica de bioimpressão de estruturas de tecido com as redes dos vasos sanguíneos, o que pode indicar um salto inicial para a construção de tecidos vivos em 3D, como pele e cartilagem, prontos para serem usados em pacientes.

Outro episódio notório envolvendo o emprego de tecnologia 3D na medicina foi o da chinesa Han Han, criança que se tornou a primeira pessoa no mundo a ter o crânio completamente reconstituído por impressoras 3D. Por sofrer de hidrocefalia, ela possuía um acúmulo de líquido no crânio, que fez sua cabeça crescer quatro vezes mais que o tamanho normal.

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Cenário brasileiro

No Brasil, ainda não está regularizado o uso de implantes personalizados, desenvolvidos por meio da tecnologia 3D. Hoje, a técnica demanda uma autorização especial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cuja obtenção passa por um processo burocrático.

Contudo, já se podem criar instrumentos para planejamento cirúrgico. O Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), em Campinas, está atrelado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e, desde 2000, produziu quase 3.500 peças para cirurgias. Os casos mais recorrentes são os de reconstituição óssea (crânio, face, mandíbula etc.), subsequentes a tumores, acidentes e anomalias genéticas. O CTI também cria guias cirúrgicas, cuja finalidade é ajudar o cirurgião a realizar incisões nos locais exatos.

Em vista de uma parceria com o CTI, a Anvisa informou a intenção de regulamentar o uso da impressão 3D na medicina.

E você, o que acha do emprego da tecnologia 3D na saúde? Deixe sua opinião no campo para comentários! Conheça também o Hygia, nosso sistema para gestão da saúde pública, utilizado por prefeituras e hospitais universitários em diversos estados do país.


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