Com 30 anos de existência, o Sistema Único de Saúde (SUS) atende mais de 190 milhões de pessoas. Para tanto, é organizado de forma descentralizada, por meio de diferentes níveis de atenção à saúde.

Os serviços que fazem parte deles são agrupados de acordo com a complexidade das medidas necessárias para acolher a população.

níveis de atenção à saúde

Níveis de atenção à saúde

São três os níveis de atenção à saúde pública no Brasil: primário, secundário e terciário. Eles foram adotados para organizar os tratamentos oferecidos pelo SUS a partir de parâmetros determinados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Sua finalidade é proteger, restaurar e manter a saúde dos cidadãos.

Cada um destes níveis apresenta características e demandas específicas, como você pode entender melhor a seguir.

Primário

Porta de entrada para o SUS, o nível primário é constituído principalmente pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). As ações de que dá conta são voltadas à redução do risco de doenças e à proteção da saúde. Isso quer dizer que apresenta também um caráter preventivo.

Nas UBSs, deve ser possível que os pacientes realizem exames e consultas rotineiros, contando com profissionais de medicina geral e familiar. Estes têm que garantir uma atenção integral à saúde e considerar o paciente inserido em sua família e comunidade. Precisam valorizar, portanto, a pessoa atendida como um ser único e diferente de qualquer outro.

Neste nível, os profissionais se articulam para atuar não apenas nas unidades de saúde, como também em espaços públicos da comunidade. Realizam ainda visitas domiciliares às famílias.

A ideia é, mais do que prover assistência médica, estar perto das pessoas e promover a saúde e a qualidade de vida localmente. Tal tipo de trabalho, de prevenção e conscientização, é importante até mesmo para otimizar a alocação de recursos utilizados em internações e tratamentos de doenças que poderiam ter sido evitadas.

Secundário

A atenção secundária é composta pelos serviços especializados encontrados em hospitais e ambulatórios. Este nível envolve atendimento direcionado para áreas como pediatria, cardiologia, neurologia, ortopedia, psiquiatria, ginecologia e outras especialidades médicas. As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) se encaixam aqui. É geralmente o acolhimento na atenção primária que encaminha os pacientes para o nível secundário, quando necessário.

São encontrados nos hospitais e centros de atendimento desta categoria equipamentos para exames mais avançados, como ecocardiogramas e endoscopias. Além disso, os profissionais de saúde que atuam na atenção secundária são preparados para realizar tratamentos de complexidade média, como é o caso dos que envolvem doenças crônicas ou agudas.

Terciário

Por fim, o nível terciário de atenção à saúde fornece atendimento de alta complexidade, sendo formado por hospitais de grande porte. Também envolve procedimentos que demandam tecnologia de ponta e custos maiores, como os oncológicos, transplantes e partos de alto risco.

Os especialistas da categoria estão aptos para tratarem casos que não puderam ser atendidos na atenção secundária por serem mais singulares ou complexos. Há ainda assistência a cirurgias reparadoras, processos de reprodução assistida, distúrbios genéticos e hereditários, entre outros tipos de cuidados para processos menos corriqueiros.

níveis de atenção à saúde

Integração entre os níveis

Coordenadora do Programa de Residência Médica de Medicina da Família, na secretaria da Saúde de São Bernardo do Campo, a médica de família e comunidade Denize Ornelas falou sobre a correlação entre os níveis de atenção do SUS em participação no podcast jornalístico Mamilos.

Segundo ela, a atenção básica é primordial em um sistema de saúde organizado e deveria atuar a partir de atributos essenciais e derivados. Os primeiros incluiriam a possibilidade de atendimento contínuo; fácil acesso; proximidade das pessoas; e integralidade, ou seja, o olhar para o paciente levando-se em conta toda a sua complexidade. Quanto aos atributos derivados, haveria a necessidade de contextualizar o histórico do paciente a partir de seu contexto familiar e comunitário, bem como de se levar em consideração os seus valores, crenças e expectativas.

É papel da atenção primária, segundo ela, a coordenação do cuidado, que dependeria substancialmente de uma boa relação com as atenções secundária e terciária. Contudo, a médica chama a atenção para o fato de a carência de profissionais especializados em número suficiente no nível secundário ser um gargalo encontrado no SUS, gerando sobrecarga ao primário.

“A atenção primária tem como característica poder resolver até 80% dos problemas de saúde que as pessoas procuram, e eu só vou encaminhar [para a atenção secundária], teoricamente, 20% ou menos [dos casos]. Mas, para eu ser resolutiva nisso, eu preciso que os outros 20% não estejam comigo. Eles realmente precisariam estar na atenção especializada”, ponderou.

Para Denize, um fator agravante neste aspecto é o fato de municípios de pequeno porte possuírem recursos escassos até para a contratação dos médicos de família, da atenção primária. Isso dificulta ainda mais a admissão de especialistas para as outras categorias de atendimento, de acordo com a médica.

Ela destacou ainda a necessidade de haver um diálogo direto entre os níveis primário e terciário, para encaminhamento médico, decisão sobre procedimentos e acompanhamento de pacientes. Exemplificou que, ao receber alta após um tratamento clínico ou cirúrgico, uma pessoa não receberia cuidados domiciliares do especialista que a operou. O processo seria realizado pelo médico de família, da atenção básica.

“O diálogo entre as partes do sistema é fundamental para que a gente entenda que não adianta só investir na atenção primária, secundária ou terciária. A gente precisa ter essas pontes bem feitas”, refletiu.

níveis de atenção à saúde

Diferença entre UBS, UPA e hospital

Como você já sabe, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são utilizadas para a atenção primária; as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), para a secundária; e os hospitais, para o acolhimento no nível terciário.

Nas UBSs, são realizados processos rotineiros, como consultas com clínico geral, vacinação, cuidados relacionados ao pré-natal e atendimento odontológico. Dependendo de seu porte e localização, estas unidades podem apresentar de uma equipe de saúde da família a quatro grupos de atenção básica.

Já as UPAs realizam medidas de emergência, funcionando 24 horas por dia. Os casos tratados incluem traumas, fraturas, infartos, derrames etc. Podem acolher de 150 a 450 pacientes por dia, conforme a quantidade de leitos apresentada.

Por sua vez, os hospitais providenciam assistência médica de média e alta complexidade e têm diferentes perfis. Há, por exemplo, hospitais gerais, especializados, de urgência, universitários, clínicas básicas e unidades de ensino e pesquisa. Os estabelecimentos de pequeno porte possuem até 50 leitos, enquanto os maiores podem apresentar até 500.

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